Pedagogia Psicodramática

alicia1Maria Alícia Romaña, educadora argentina, pedagoga e psicodramatista, fez parte da primeira turma de formandos em Psicodrama da Asociación Argentina de Psicodrama. Moreno, Vygotsky e Paulo Freire constituem as principais bases do Psicodrama Pedagógico, modalidade de trabalho sociodramático que Romaña criou e apresentou no IV Congresso Internacional de Psicodrama, em 1969, em Buenos Aires, na presença de Jacob Levy Moreno. Ela integrou a equipe de Rojas Bermudez e formou os primeiros psicodramatistas brasileiros no foco socioeducacional. Morou e trabalhou no Brasil quase trinta anos (1976 a 2005), em São Paulo, onde publicou cinco livros. Retornou ao seu país em 2005, morando em Santa Rosa de Calamuchita, província de Córdoba, com seu filho, suas filhas, genro e netos. Lá ela desenvolveu trabalhos sociais, trabalhos com professores da escola rural e com a população jovem da cidade, para preservação da memória dos desaparecidos. Faleceu em setembro de 2012, aos 85 anos. Em Santa Rosa lançou seu livro, pela editora Lugar Editorial S.A.: Pedagogía psicodramática y educación conciente (2010) – que acaba de ser traduzido (dezembro/2019) por nossa diretora Alcione R. Dias, com produção de nossa também diretora Luiza Barros.

Alcione e Luiza – em mãos, o livro "Pedagogia Psicodramática e Educação Consciente"
Alcione e Luiza – em mãos, o livro “Pedagogia Psicodramática e Educação Consciente”

Construção Coletiva do Conhecimento (1992) é ainda um dos seus mais conhecidos livros e o título revela a natureza das suas ideias e contribuições no campo da educação e da transformação social. Inspirada em filósofos e educadores como Rousseau, Walon, Dewey, Maria Montessori e Decroly, Vygotsky, Paulo Freire e Saviani, ela teve na Socionomia de Jacob Levy Moreno a principal base da sua criação: a pedagogia psicodramática. Romaña parte da mesma visão filosófica moreniana de homem: um ser social e um ser em relação. Ela conseguiu demonstrar como a estrutura da Socionomia – a integração de contextos, as etapas e instrumentos, e os tecidos metodológicos – aplica-se a um trabalho, a uma reunião ou a uma aula em todos os seus benefícios. Suas proposições favorecem a aplicação do psicodrama nos campos educacional, organizacional e social.

Na pedagogia psicodramática, ela destaca a concepção e a vivência dos planos de realização dramática: real, simbólico e imaginário, como preciosos recursos do método. Ela agregou o seu referencial pedagógico ao campo de atuação do psicodramatista. Para Romaña o psicodrama é uma combinação equilibrada de trabalho em grupo, desenvolvido num clima de jogo e liberdade, que alcança sua maior expressão quando articulado no plano dramático ou teatral. O grupo é um organismo que vai se estabilizando, à medida que seu próprio processo vai se desenvolvendo. As particularidades de seus integrantes, seus interesses e necessidades marcam suas características e seu histórico. Jogar ou brincar, entendidas como as atividades talvez mais sérias que o homem pode realizar, garantem a permanência do trabalho do grupo numa instância própria, num espaço particular, organizado com base em códigos e normas também próprios. O teatro está presente pela possibilidade de desempenhar papeis, de intercambiar personagens, de transcender a perspectiva pessoal. Ao criar a pedagogia psicodramática, Romaña estabeleceu uma diferença entre as aplicações didática e psicoterápica da ação dramática, definindo o marco referencial e o campo de ação do educador e do psicodramatista socioeducacional.